Da minha varanda eu podia ver frestas de sexo na janela dela, vultos por trás das cortinas, Gal Costa quase gritando a força dessa relação nos altos falantes de um rádio que também estava no quarto.
Ela sempre nos falava quando éramos adolescentes que gostava de homens mais velhos, e que adorava ver os caras das novelas com um ar sério, das cenas de sexo que duravam uma noite e acabavam num café da manhã gigante. Gostava de se sentir segura.
Eu sempre a observei de longe, como espectador, quase nunca participando. Catiellen era essa loucura sensual, forte, precisa, movimentava-se com certeza, uma certeza erótica. Ela era isso, essa certeza incerta. Não sabia quando ela iria atacar novamente, mas ela parecia saber.

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