Em um piscar de olhos todas as crianças da vila em que eu morava se tornaram adolescentes e pré adolescentes, as brincadeiras inocentes iam aos poucos tomando outros caminhos. Catiellen sempre estava no meio de tudo, ela resolvia as brigas, e ela cuidava da harmonia, mas nunca tomava partido.
Em nossas conversas sonhadoras de seres humanos de 13 anos, todo mundo queria ser alguma coisa, Catiellen queria ser tudo e nada ao mesmo tempo. Queria ter filhos e marido, mas não queria, queria ser professora, modelo, astronauta, médica, striper, dentista e costureira, mas nção queria ser nenhuma dessas coisas.
Mas ela nunca deixou que essas coisas a incomodassem, ou fingia muito bem que não deixava. Ela era uma pessoa explosiva, mas não por causa dessas coisas. Catiellen odiava gritos, e brigas, mas sempre odiava quando era dos outros, os seus próprios não pareciam incomodar. Ela era uma colcha de retalhos. Ela ainda é uma colcha de retalhos, e os retalhos só aumentam, não há entrada, nem saída. Ela nem precisa fazer sentido, mas tudo isso, todo essa contradição e cisão é ela. Ela é esse tudo-nada.

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